Palestra Viajo Logo Existo

O casal que completou uma volta ao mundo de carro

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Tive o prazer de participar da Palestra Viajo Logo Existo, com o Leo e Chel no último dia 6 de Maio.

Acompanho o casal há muito tempo nas mídias sociais.
São os protagonistas de uma volta ao mundo a bordo de uma Land Rover durante 3 anos e meio, passando por quase 80 países.

Leo e Chel – Viajo Logo Existo

Com o fim desta jornada, eles voltaram ao Brasil e realizaram uma sequência de palestras.
Aproveitei e fui participar aqui em São Paulo.

 

A palestra

Imagine tentar juntar 3 anos e meio de viagem, numa apresentação de 1 hora?
Fica difícil até de escolher as fotos que você quer mostrar… risos

Em tom de descontração contaram alguns trechos da viagens, inclusive a visita a um vulcão ativo no Congo, depois de horas de longa caminhada em terreno acidentado e sem os equipamentos necessários.
Como resultado, a Quel machucou o joelho e teve que descer nas costas de um dos guias armados, porque estavam em uma região controlada por milícias.

Vulcão Nyiragongo no Congo

Mas, eles fizeram um bom resumo.

Comentaram sobre onde tudo teve inicio: as motivações e o planejamento.

Como e quando surgiu a ideia de transformar a viagem num projeto/trabalho.

A construção do roteiro e alguns dos países que mais gostaram de visitar (ex: o Congo e os Gorilas em extinção).

E a importância da família e dos amigos nisso tudo.

 

Dicas do Leo e Chel

O ponto alto da palestra, foi a sessão de conversa que abriram no final.
Uns 40 minutos para os participantes tirarem dúvidas, e obter respostas sempre caprichosas com a maior quantidade de detalhes possíveis.

Pelo tom das perguntas, era possível perceber que a grande maioria estava ali buscando inspirações e que em breve irá cair na estrada para realizar algum sonho (estudar fora, viajar de moto, dar a volta ao mundo, etc).

Escócia – Lugar mágico: Os highlands

Então foi muito produtivo porque as perguntas acabaram não sendo direcionadas para o turismo e os locais que conheceram, mas sim para o ponto de vista de negócio: como se manter na estrada por tanto tempo?

 

O Planejamento e o momento de partir

Ambos tinham uma carreira estável na área financeira e em grandes empresas.

Leo tinha o prazer pela fotografia e apesar de já ter morado na Austrália por algum tempo e realizar viagens frequentes, queria dar uma volta ao mundo. E o emprego no banco apesar de lhe dar bons rendimentos, o impedia de fazer uma viagem maior.

Na palestra, comentaram inclusive sobre uma conversa com Artur Simões (que fez uma volta ao mundo em bicicleta) que lhes disse: definam a data de partida e NUNCA mudem esta data. Isto irá lhe forçar a criar a coragem que lhe falta.

Caso contrário, você sempre irá pensar que precisa juntar um pouco mais de dinheiro, ou que tem que aprender mais sobre tal assunto, que precisará de um carro melhor para a viagem, etc. E muitas destas coisas, poderão ser ajustadas ao longo da rota. Então o passo mais importe é partir.

Fizeram contas e viram que alugando o apartamento em que moravam, já conseguiriam um rendimento que bancasse parte da viagem.

Em resumo, pediram demissão do banco, compraram o carro, alugaram o apartamento e caíram na estrada rumo ao Ushuaia (conhecido como o fim do mundo, no extremo sul da Argentina).

 

Como bancar a viagem?

Leo deixou claro que o aluguel do apartamento iria bancar grande parte da viagem (algo em torno de US$ 3000 por mês que recebiam). Mas, as épocas eram outras: o dolár era cotado em R$ 1,80 e a economia brasileira vinha em ascensão.

Acampando na Muralha da China

Depois de um bom tempo na estrada a economia já não era mais a mesma: eles tinham perdido o inquilino que pagava um bom valor, o Brasil vivia um momento de incertezas e o dolar chegou a bater R$ 4,50. Em pouco tempo, o rendimento deles estava pagando algo em torno de US$ 1000.

Foi neste momento que surgiu a necessidade de criar outras fontes de renda.

Aproveitando o gosto do Leo pela fotografia, o casal começou a vender fotografias para bancos de imagens. O processo é lento, afinal, em média você ganha US$ 0,25 por imagem vendida. Mas, depois de 4 anos e quase 8000 fotografias publicadas, eles comentaram que já é possível ganhar algo em torno de R$ 2000 por mês com isso (lembre-se: depois de muito trabalho!).

 

O financiamento coletivo

Antes do banco de imagens render algo, a ideia que eles tiveram foi usar o financiamento coletivo para publicar um livro na estrada. O funcionamento é simples.

Eles calcularam precisar de R$ 20.000,00 para publicar um livro. Quem topasse a ideia, poderia contribuir de várias maneiras e faixas de valor, mas em geral, você poderia comprar o livro de maneira antecipada. Você só pagaria pelo livro, se a meta do casal fosse alcançada. Caso contrário, você recebe o dinheiro de volta.

Conseguiram atingir a meta ainda na primeira semana e o livro seria publicado dali alguns meses.

Lembrando: nesta época eles já tinham importantes marcas em mídias sociais.
Se você tiver um projeto bem elaborado e um bom público, isso vai aumentar suas chances num financiamento coletivo.

Também resolveram ativar propagandas no blog, e o programa de afiliados.
Mesmo que pagando pouco, era mais alguma ajuda.

A motivação era a cada período arrumar mais algum fonte de renda que pagasse 1% que seja da viagem. Em determinado momento, você poderia estar 100% pago.

 

Os percalços da viagem e o futuro do Brasil

Por mais incrível que pareça, o único roubo que sofreram foi no Chile e ainda no começo da viagem.
Perderam US$ 10.000 em equipamentos de fotografia (mas que tinham seguro no Brasil).

Depois de mais 3 anos de viagem, só tiveram 2 pares de calçados roubados num parque estadual, se não me engano na África.

Glaciar Perito Moreno na Argentina

Nas palavras do próprio Leo, isso reforça o problema de segurança que vivemos no Brasil.
Aqui ele já teve uma arma na cabeça por duas vezes. Muitas pessoas ao longo do mundo, não conseguem nem imaginar o que é esta violência.

Ao ouvir esta história em Hong Kong, uma senhora ficou uma semana sem dormir imaginando o tamanho perigo que nunca tinha sequer ouvido na vida.

Na Austrália, alugaram um Home Trailer e dormiram por várias noites na estrada, sem ao menos trancar o veículo.

Cruzaram diversos países da África, onde ouviam dizer que poderiam ser vítimas de corrupção policial na estrada… E nada aconteceu…

Então você já deve imaginar a resposta do casal, quando perguntados se consideram o Brasil um lugar seguro e se pretendiam continuar com a residência fixa aqui. Não, não pretendem.

Apesar de manter parte da família aqui, a ideia do casal é se mudar para Portugal. Onde consideram um custo de vida razoável pelos padrões europeus.

 

Fariam novamente a viagem de carro?

Leo comentou que o carro não era muito confortável, mas que com certeza repetiriam a dose.

O Land Rover Defender quebrou pouquíssimas vezes na estrada, e mesmo eles tendo praticamente nenhuma noção de mecânica isso não foi problema.

Porém, na questão de custo comentaram que vale a pena fazer cálculos mais refinados. Quando eles atingiam o fim de um continente, tinham que embarcar o carro em contêiner. E o custo disto é alto. Fora que o casal não ia junto, tinham que tomar um avião até o próximo continente.

Então, o custo de comprar e vender o veículo no próprio continente poderia valer mais a pena.
Em alguns países você encontrará o veículo já totalmente pronto para a viagem e em custo bom.

Barreira de Corais na Oceania – Austrália

Mas, a próxima viagem que vão fazer (mais 22 países) para completarem 100 países visitados, será de avião.

Isto porque os países estão muito espalhados pelo mapa. Não faz sentido dirigir até o Canadá ou Israel.
E como são lugares que eles querem conhecer com calma, o mais fácil será tomar um avião.

É tudo questão de planejamento.

 

Motivação

Um frase que sempre repetiam, é que pessoas comuns são capazes de coisas extraordinárias.

Há 4 anos atrás, talvez o medo e a incerteza não os tivessem feito sair do emprego estável no banco.
Até porque a capacidade de adaptação (que depois vira comodismo) do ser humano é enorme.

É lógico que nem tudo é fácil, em vários momentos pensaram em desistir e voltar para casa.
Não é possível prever o futuro, não saberiam se teriam sucesso ou fracasso.

E o risco de queimar as reservas financeiras, não realizar o sonho e ter que voltar ao mercado?

É claro que isso também não seria fracasso, porque ambos gostavam da sua carreira corporativa no banco.
Mas, não era o sonho que perseguiam.

Por sorte o ser humano também é insatisfeito o tempo todo e sempre quer mais e quer alcançar novos rumos.

Para dar um volta ao mundo, é preciso se mexer.
Estar em constante movimento.

E você, o que está esperando para sair do sofá?

 

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